Muita gente só descobre a irregularidade do imóvel quando tenta vender, financiar ou fazer inventário. Para te ajudar a identificar o problema antes do aperto, reunimos os 5 sinais de alerta mais comuns — e como confirmar cada um com passos simples. Esta matéria complementa o guia “Imóvel irregular: riscos e como regularizar” e aprofunda o diagnóstico prático.
1) A matrícula não bate com a realidade
A matrícula é o “RG do imóvel”. Se ela não reflete o que existe de fato (metragens, benfeitorias, desmembramentos/unificações, proprietários), há indício de irregularidade.
Como checar na prática
- Solicite matrícula atualizada no Cartório de Registro de Imóveis;
- Compare com a planta/projeto e o que há no local (vistoria visual);
- Verifique se ampliações/edículas constam averbadas.
Indícios comuns
- Áreas divergentes (útil/total) entre matrícula e realidade;
- Benfeitorias (churrasqueira, garagem fechada) sem averbação;
- Condomínio, desdobro ou unificação sem histórico registral correspondente.
2) O imóvel foi comprado com “contrato de gaveta”
Sem escritura e registro, a transmissão não se completa no mundo jurídico. O comprador não vira oficialmente proprietário na matrícula.
Como checar na prática
- Consulte a matrícula: seu nome consta como proprietário?
- Localize a escritura pública e o respectivo registro na matrícula;
- Se houver apenas compromisso particular, é sinal de alerta.
Riscos típicos
- Dificuldade de financiar/vender;
- Exposição a disputas e incerteza em inventário;
- Possíveis ônus do titular anterior recaindo sobre o bem.
3) Construção sem aprovação ou reforma sem atualização
Obras relevantes exigem projeto aprovado, alvará e, ao final, Habite-se (quando aplicável). Depois, alterações devem ser averbadas.
Como checar na prática
- Peça o processo da obra na Prefeitura (projeto, alvará, Habite-se);
- Compare o projeto aprovado com o que existe hoje;
- Confirme se a ampliação foi regularizada e averbada.
Erros frequentes
- Fechamento de varanda/garagem sem atualização de projeto;
- Construção de edícula sem licenciamento;
- Troca de uso (residencial/comercial) sem adequações urbanísticas.
4) IPTU/cadastro municipal desatualizado
Quando o IPTU/CCM não reflete área, padrão ou uso atual, o cadastro pode estar desalinhado à realidade e à matrícula.
Como checar na prática
- Compare área lançada no IPTU com a área construída real;
- Verifique uso (residencial/comercial) e padrão construtivo;
- Peça regularização cadastral se houver divergência.
Por que isso importa
- Desalinhamentos podem travar financiamentos e certidões;
- Podem gerar multas e cobranças retroativas;
- Impactam o valor venal e tributos correlatos.
5) Banco ou comprador travou a negociação
Se o banco recusou o financiamento ou o comprador desistiu por documentação insuficiente, pode haver irregularidade técnica/jurídica.
Como checar na prática
- Solicite o motivo formal da recusa (engenharia/jurídico do banco);
- Revise dossiê do imóvel (matrícula, certidões, projeto);
- Alinhe cadastro municipal x registro x realidade construída.
Como confirmar de forma estruturada (passo a passo de diagnóstico)
- Levantamento documental: matrícula atualizada, certidão de ônus, IPTU/CCM, planta/projeto, Habite-se, alvarás, contratos e recibos;
- Vistoria técnica: conferência de áreas, benfeitorias e uso;
- Conciliação de dados: Prefeitura ↔ Cartório ↔ realidade do imóvel;
- Plano de regularização: definir se exige projeto “as built”, retificação, desdobro/unificação, averbações, escrituração/registro;
- Execução e protocolos: dar entrada nos órgãos e acompanhar até a entrega final.
Documentos que ajudam a comprovar a situação
| Documento | Para que serve | Onde obter |
|---|---|---|
| Matrícula atualizada | Propriedade, metragens, averbações e ônus | Cartório de Registro de Imóveis |
| Certidão de ônus/ações | Verificar gravames e restrições | Cartório de Registro de Imóveis |
| IPTU/CCM | Cadastro municipal de área, uso e padrão | Prefeitura |
| Projeto/Planta e Habite-se | Comprovar obra aprovada/concluída | Prefeitura |
| Contratos/recibos | Histórico de transações e posse | Acervo do proprietário/tabelionato |
Consequências de ignorar os sinais
- Venda e financiamento travados por exigências técnicas/jurídicas;
- Desvalorização e redução de público comprador;
- Risco em inventários/partilhas e disputas entre herdeiros;
- Multas/embargos quando há infrações urbanísticas;
- Insegurança jurídica no uso do imóvel como garantia.
Mitos e verdades sobre regularização
- Mito: “Se pagar IPTU está tudo regular.” — Falso. IPTU não substitui matrícula atualizada nem projeto aprovado.
- Mito: “Contrato particular já me torna dono.” — Falso. Sem registro na matrícula, a propriedade não se consolida.
- Verdade: Reformas relevantes precisam de aprovação/averbação.
- Verdade: Regularizar tende a agilizar a venda e ampliar acesso a crédito.
Checklist de autoavaliação (rápido)
Marque o que se aplica ao seu caso:
- Fiz reforma/ampliação sem atualizar a documentação
- Comprei com contrato particular e não registrei
- IPTU/CCM tem área/uso diferente do real
- Banco ou comprador recusou por “documentação”
- Não tenho Habite-se (quando aplicável)
Se marcou 2 ou mais, vale fazer um diagnóstico técnico-jurídico completo.
Quando pode exigir serviços urbanísticos/documentais específicos
Dependendo do caso, a solução pode envolver: Desdobro, Unificação, Retificação de área, Alvará de construção, Habite-se, Cadastro Nacional de Obra (CNO), Certidão Negativa de Débitos (CND), Sistema Eletrônico para aferição da obra, Averbação de construções/reformas, Projeto técnico e assessoria documental.
Perguntas frequentes
Preciso regularizar mesmo se não pretendo vender agora?
Sim. Regularização reduz riscos (multas, embargos, disputas), facilita financiamentos futuros e dá segurança para herdeiros. É um investimento em tranquilidade.
Quanto tempo e custo podem envolver?
Variam conforme cidade, complexidade e filas dos órgãos. Casos simples levam menos tempo; outros exigem projeto, aprovações e averbações. Um diagnóstico preciso evita retrabalhos e custos desnecessários.
Posso regularizar e depois financiar?
Na prática, sim: imóveis regularizados tendem a cumprir as exigências técnicas e jurídicas, melhorando as chances de aprovação de crédito.
Contrato de gaveta pode ser “resolvido” depois?
Em muitos casos é possível equacionar por escritura e registro, desde que cumpridos os requisitos legais e tributários. A análise é caso a caso.
Estudos de caso (exemplos didáticos)
Ampliação não averbada → negociação travada
Diagnóstico apontou divergência entre projeto e realidade. Solução: “as built”, aprovação na Prefeitura e averbação no Registro. Resultado: documentação alinhada e venda destravada.
Contrato particular sem registro → incerteza jurídica
Histórico documental reconstruído, lavratura de escritura e posterior registro na matrícula. Resultado: propriedade formalizada e acesso a crédito futuro.
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Conteúdo informativo. Cada caso requer análise técnica e jurídica individual.